sábado, 19 de novembro de 2011

A FAMÍLIA

Eu queria que tudo fosse como antigamente
A família reunida
Nós primos quando crianças
Sempre nos encotrávamos
Num clima de confiança
De que nossos pais e tios
Estavam lado a lado
Não sabíamos que já naquela época
Havia conflitos disfarçados
Vivíamos num mundo de sonho
Em harmonia
Nada dava errado na nossa família


Mas aí nós fomos crescendo e fomos mudando
E a família que era tão unida se transformando
Nossos pais e tios só se encontravam por obrigação
A casa da nona que fora ponto de reunião
Virou ponto de discórdia
Quando ela adoeceu
O nono já havia morrido
E a vida dela cada vez mais sem sentido
Tornara-se um estorvo
Para seus filhos
Que faziam rodízio
Para cuidar dela


Mas nunca entravam num acordo
Até o ponto em que ela foi parar num asilo
E houve os irmãos que apoiaram e os que não concordaram
E diante de toda essa balbúrdia ela acabou sendo internada num hospital
E faleceu longe de sua terra natal


E foi aí que a desunião mais se pronunciou
Um dos irmãos negou-se a comparecer no velório e no enterro
Para não encontrar os demais
Com os quais já havia rompido relações
Durante as situações
Que antecederam a morte
De um ente tão querido como a própria mãe


E hoje aquela harmonia em que a gente vivia
Com esperança e alegria
Virou uma sensação de incômodo
 Um "num sei quê" de estranho
 Um sofrimento tamanho
Que paira no ar
De um clima pesado
Igual a morango mofado


Ainda fazemos festa
Mas sabemos que a família não está completa
Pela distância daquele tio
Que escolhe ficar ausente
Quando a própria irmã gêmea está presente


Ah! Que saudade daquele sentimento de paz e harmonia que eu sentia
Quando era criança e não sabia que nada disso existia
Que saudades daqueles dias
Em que eu era feliz
E não sabia

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Casamentos


Maio já passou... Muito rápido... Ela nem viu. Estava sentada, pensando... Quanta coisa! Maio mês da noivas. Maio mês das mães. Um casamento no mês de maio. Seu primo. Ela foi ao casamento, estava frio. Nem tanto quanto agora... Sua mãe não quisera ir. Recusou-se terminantemente. Ela fora, insistindo com os pais para que fossem também. Gostaria de conversar com a mãe durante a festa, para que ela contasse sobre as pessoas que não reconheceria. Arrumou-se bem bonita, pôs um lenço bacana na cabeça. maquiou-se no carro, pois o casório acontecera em outra cidade. Chegou em tempo de pegar a cerimônia na igreja e a festa. Viu todos os parentes de seu pai, apesar da ausência do mesmo. Foi muito bom, estava entre a companhia de seu irmão, da noiva dele e do seu namorado. Sentiu-se muito bem acolhida, até entre pessoas que não conhecia.
Atualmente tem até uma peruca chanel, castanha escura, de nylon mesmo... Mas que ficou ótima. Tem um belo rosto. Ela só tem coragem de usar de noite, de dia é muito cheguei. Aliás, nunca usou. Haverá um próximo casamento, da família de sua mãe. Ela não sente vontade de ir. A família de sua mãe, por mais que ela goste, é mais desunida do que a de seu pai. E ela nem se lembra de ter conhecido os noivos... Seu primo que casou-se em maio morou em sua casa durante o tempo de faculdade. E veio trazer o convite pessoalmente... Com a noiva. Para ela, essas coisa contam! E muito! Gostou muito de ir. Agora seria uma oportunidade de usar seu chanel (peruca, hihih!). Mas não está muito a fim, enfim... Será que quer atingir sua mãe? Não é isso, ou só isso... Esse frio, será que vai continuar? Sua sessão de quimio foi ontem. Ela terá motivos suficientes para não querer ir... fora os motivos inconscientes, pré-conscientes, etc, que ninguém tem obrigação de entender, a não ser ela mesma... A mãe terá outras pessoas com quem ir, se ela não for. É isso! mês de junho, 6ª quimio!!! Mucho bueno! O tempo passa sem ela sequer perceber o quão rápido... So fast...
O verdadeiro casamento é aquele com você mesmo, saber quem você realmente é, reconhecer suas necessidades, físicas, materiais, psíquicas, emocionais, morais, éticas, espirituais. Aí sim o seu parceiro pode estar ali, bem perto, e você nem se dar conta disto. Pra casar é preciso se conhecer bem, pra saber escolher. Ela quer um tempo mais para viver, para poder realizar o que jamais acreditou, o que é mais simples do que tudo o que já desejou ter. Um amor de verdade.


" Das coisas, a mais bela é a justiça e a melhor é a saúde. Mas a mais doce, é ter o que amamos. " (Descrição em Dellos)


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Monólogo


Ela com aquela porra de câncer. Fazendo quimio, passando mal meses a fio... Com medo de sofrer, de morrer. A porra é melhor do que isso, não é? Tudo pode ser melhor do que isso? A porra no sentido pejorativo, claro. Uma porra saudável pode ser uma das melhores coisas. E aí nem dá pra comparar com o câncer. Talvez nem tudo o que a gente pense de ruim seja melhor do que essa porra de doença (de novo, porra). Tem outras doenças. Tem outras coisas. Mas já que ela está com essa doença, o negócio é tratar, não é? Que remédio? eu acompanhava a minha irmã doente e pensava todas essas bobagens, quando falei: Vem cá, você! Eu disse ao enfermeiro que estava retirando o sangue dela para ser examinado antes da sessão de quimio. Fale aí pra mim, a vida não é fácil não, você não acha? E ela, ouvindo o que eu havia perguntado, disse em sua simplicidade, a vida? A vida é boa...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Abriu

O mês de abril é o mês que eu mais amo. Os dias são bem azuis, o vento já começa a refrescar a pele e o Sol ainda queima. A constelação de escorpião começa a nascer ao anoitecer. E eu abro mais uma vez meu coração, aqui, para dizer, simplesmente, a vida vale a pena. Mesmo que seja para morrer em abril, viver em abril, sonhar com abril, amar em abril, sorrir nu abril, esquecer o brio, ficar invisível, não ser tão sensível, ficar com frio. Vento gelado, tomar café quente, sair pela tangente, seguir em fente, no batente, com coragem, ser carente, ficar ausente, contente...

sexta-feira, 20 de março de 2009

AMOR

M. C. Escher

O AMOR SEMRE EXISTIU ENTRE NÓS. UM AMOR VERDADEIRO, PURO, PROVENIENTE DA CONVIVÊNCIA, CHEIO DE CONTRADIÇOES E DÚVIDAS, CHEIO DE CONFLITOS. MAS ESTAVA ALI, SEMPRE VIVO, PRONTO PARA DE NOVO RECOMEÇAR!


ACHO QUE EU PROCUREI CARINHO E AMOR ONDE NÃO HAVIA...


PENSO QUE SEJA PRECISO SABER AVALIAR BEM O QUE VALE MUITO NA CONVIVÊNCIA COM AS PESSOAS, O QUE TEM POUCO VALOR E ÀS VEZES EM QUAIS RELAÇÕES SÓ PREVALECE O VALOR NEGATIVO E NÃO É COMPENSADOR.

CREIO ESTAR AGORA CERCADA SOMENTE DE PESSOAS MUITO QUERIDAS, ESPECIAIS, QUE ME AMAM, COMO EU TAMBÉM AS AMO.



quarta-feira, 4 de março de 2009

Já sei o que me Espera!


Dez dias.


Não mais do que dez dias.


Não menos que dez dias.


Apenas dez dias.


Longos dez dias.


Exatos dez dias.


Para melhorar.


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Vou Voltar


Crianças, desta vez a luta será um lugar que não sei bem se conseguirei suportar tão bem, mas estou tentando aguentar firme. Creio que sim. Uma coisa dessas que passo agora é uma coisa mesmo, horrorosa, que nunca imaginei nesse contorno nem nessa intensidade. Não procurava pensar nessa possibilidade. Agora não só penso, mas vivo, nas entranhas. No interior do ar que respiro e nos líqüidos viscerais. Esse trema aqui que coloco não mais vai ser usado após esssa bendita reforma ortográfica? E o que me preocupam são os traumas, não os tremas. Os temores e os calafrios de frio e os calores desse verão incandescente e a náusea recorrente. Medo e coragem. Trema mas enfrente. Siga em frente. Não há como voltar atrás. Vão chegar dias de paz.