(Foto de Felix Richter - Série Heaven)
Hoje é dia de Finados.
E ontem, foi dia
De todos os Santos.
E meu Santo avô Querido
Foi Santo
Em nome.
Porque nasceu no dia
De todos os Santos.
E Santo foi
Por outros motivos.
Ao menos para mim,
Que ficava ao seu lado
Ouvindo suas histórias
De viajante
Enquanto ele picava fumo de corda
Com seu canivete
Para enrolar na palha.
Tinha uma égua chamada Estrela
Com quem percorria os sítios das redondezas
Em sua charrete.
Era uma espécie de curandeiro.
Criara um preparado a base de ervas
Contra bronquite.
Vinha gente da capital
Para comprar
Aquele litro de xarope
Adoçado com açúcar mascavo.
Bons tempos aqueles...
Meu nono Santo,
Santin, como era conhecido,
Tão simpático e risonho
Ainda era vivo.
Ontem ele nasceu.
Foi o dia de seu aniversário.
Hoje ele morreu,
Pois é dia dos mortos.
No espaço de um dia para o outro
Uma vida se vai.
A chuva de hoje
Traz a esperança da renovação
Das suas lembranças,
Que molham a terra fértil
Da saudade.