Eu queria que tudo fosse como antigamenteA família reunida
Nós primos quando crianças
Sempre nos encotrávamos
Num clima de confiança
De que nossos pais e tios
Estavam lado a lado
Não sabíamos que já naquela época
Havia conflitos disfarçados
Vivíamos num mundo de sonho
Em harmonia
Nada dava errado na nossa família
Mas aí nós fomos crescendo e fomos mudando
E a família que era tão unida se transformando
Nossos pais e tios só se encontravam por obrigação
A casa da nona que fora ponto de reunião
Virou ponto de discórdia
Quando ela adoeceu
O nono já havia morrido
E a vida dela cada vez mais sem sentido
Tornara-se um estorvo
Para seus filhos
Que faziam rodízio
Para cuidar dela
Mas nunca entravam num acordo
Até o ponto em que ela foi parar num asilo
E houve os irmãos que apoiaram e os que não concordaram
E diante de toda essa balbúrdia ela acabou sendo internada num hospital
E faleceu longe de sua terra natal
E foi aí que a desunião mais se pronunciou
Um dos irmãos negou-se a comparecer no velório e no enterro
Para não encontrar os demais
Com os quais já havia rompido relações
Durante as situações
Que antecederam a morte
De um ente tão querido como a própria mãe
E hoje aquela harmonia em que a gente vivia
Com esperança e alegria
Virou uma sensação de incômodo
Um "num sei quê" de estranho
Um sofrimento tamanho
Que paira no ar
De um clima pesado
Igual a morango mofado
Ainda fazemos festa
Mas sabemos que a família não está completa
Pela distância daquele tio
Que escolhe ficar ausente
Quando a própria irmã gêmea está presente
Ah! Que saudade daquele sentimento de paz e harmonia que eu sentia
Quando era criança e não sabia que nada disso existia
Que saudades daqueles dias
Em que eu era feliz
E não sabia

