segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ILUSÃO

Foto Google

Não queria ouvir de novo aquela canção que fala de amor. Ela (canção) já ensurdecera na margem do tempo. E o velho teclado estava mudo, as cordas gastas, o sopro se fora sem mais ar nem suor, sem mais voz nem sorriso. Aquilo tudo se acabara numa imagem de paraíso perdido, sem véus, sem ilusões, choros ou velas. Ficou tão real. Tão escandalosamente real e concreto que se partiu em mil pedaços. Não seria nem possível reunir os cacos, todos espalhados, sem qualquer sentido.
E o último fio de Ariadne que conduziria à saída mais pura e bela do labirinto tornou-se invisível. E aquele desejo que prometia o súbito e nítido prazer da mais doce aventura romântica desaparecera. E a fumaça que esvaecia a trégua entre os amantes não mais provocou o escotoma da paixão louca, nem mesmo a boca esperou o beijo, nem a carne esmoreceu ou tremeu.
E tudo o que houvera fora em torno de um delírio que jamais aconteceu. E nada do que se ouvia poderia resgatar as lembranças de sonhos e poesia. Àquela hora da madrugada a respiração rompia o silêncio da memória mais fria. Sentia-se vazia e sem mais ilusão, sofria.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

SAUDADE

(Foto Google)


Está chovendo. Após longa estiagem. É assim que imagino como será quando o verei novamente. Após tantos dias, semanas, meses... esperando... chove. E, chuva, traz um ar bom, melhora o clima, umedece a terra, brota a vida. Assim como a visão dele me trará alegria, assim a chuva vai molhar o dia.




segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

POEMA DA NOITE SEM LUA

Foto Felix Richter - Série Hades

Se às vezes eu sinto que quero você
É porque o vento soprou forte
No calor da noite sem Lua
E balançou meus cabelos
E mexeu com meus afetos
Que ficaram livres
Sem direção.

Não te aflijas com a pétala que voa

Também é ser deixar de ser assim

Rosas verás só de cinza florida

Mortas intactas pelo teu jardim

Eu deixo aroma até nos meus espinhos

Ao longe o vento vai falando em mim

E por perder-me é que me vão lambrando

Por desfolhar-me é que não tenho fim.
(Cecília Meireles)




quinta-feira, 20 de novembro de 2008

ARGENTINARGENTINARGENTINAR...

Foto Celular
Andei pelas ruas


Conheci lugares


Vi pessoas


Respirei Buenos Aires

sábado, 15 de novembro de 2008

FAIRYTALE

Hair
Dark Hair
Long Dark Hair
Thin
Very Thin
Very Tall Thin
Smooth
So Smooth
So Sweet Smooth
Kind
Little Kind
Every Little Kind
God
Good Lord
God Good Lord
Fair
Too Fair
Too Fucking Fair


(Foto de Felix Richter - Série Heaven -Paraíso)


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

LIGHT WEIGHT (WAIT: HE WILL GROW UP)


(Foto de Felix Richter - Série Heaven)

Dezessete Palavras
Inato
Lívido
Lúgubre
Lânguido
Trôpego
Tímido
Dúbio
Alto
Leve
Grave
Livre
Sereno
Lascivo
Supremo

Infindo
Servil
Lindo.

domingo, 2 de novembro de 2008

FINADO SANTO

(Foto de Felix Richter - Série Heaven)

Hoje é dia de Finados.
E ontem, foi dia
De todos os Santos.
E meu Santo avô
Querido
Foi Santo

Em nome.
Porque nasceu no dia
De todos os Santos.
E Santo foi
Por outros motivos.
Ao menos para mim,
Que ficava ao seu lado
Ouvindo suas histórias
De viajante
Enquanto ele picava fumo de corda
Com seu canivete

Para enrolar na palha.
Tinha uma égua chamada Estrela
Com quem percorria os sítios das redondezas
Em sua charrete.
Era uma espécie de curandeiro.

Criara um preparado a base de ervas
Contra bronquite.
Vinha gente da capital
Para comprar
Aquele litro de xarope
Adoçado com açúcar mascavo.
Bons tempos aqueles...
Meu nono Santo,
Santin, como era conhecido,
Tão simpático e risonho
Ainda era vivo.
Ontem ele nasceu.
Foi o dia de seu aniversário.
Hoje ele morreu,
Pois é dia dos mortos.
No espaço de um dia para o outro
Uma vida se vai.
A chuva de hoje
Traz a esperança da renovação
Das suas lembranças,
Que molham a terra fértil
Da saudade.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

TELLING THE TRUTH

When the interpretation comes before the subject has been able to accept
You will have a denial

Which can appear by the silence
By the angry
By the simple refusal
Or many other mechanisms of defence

That´s the way psychologists can do

I'm sorry baby
I went down deep inside the analysis
I'm not the psychologist of you
Neither I'd like to

Maybe I feel like going to be
Admired by the power
Of telling truths

Which nobody wants to know
But me.


(Foto de Felix Richter - Série Cavalos)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Falta de Espaços de Expressão


Siceramente? Eu adorei! Eu vibrei ao ver a ação dos pixadores na atual Bienal de Artes de São Paulo. Não que eu queira fazer apologia ao vandalismo predatório, à conduta anti-social. Contudo, não pude conter meu entusiasmo. Talvez eu tenha uma veia imoral, que seja! Mas, por mais que queiram inovar nas artes, com o conceito de arte interativa, que vem se atualizando em cada bienal, ou de espaço vazio... Em nenhuma delas houve uma manifestação mais inovadora do que a pixação. Se tivessem incorporado a ação dos pixadores à organização do evento, tranformando o ato de pixar em uma surpresa programada, aposto que todos bateriam palmas... Mas foi um fiasco porque o sistema social reproduziu, como sempre, a repressão da manifestação espontânea da parcela da população excluída da produção e fruição das artes consideradas valorosas e convencionalmente (e por que não?) aceitas. Conseqüentemente, a pixação foi a maior arte de vanguarda, por representar a contracultura, o protesto contra o status quo. O rapaz que apareceu na TV disse: - "É arte, não é? Nós viemos fazer a nossa arte"... Querem mais interatividade do que isso? Será que aumentar a repressão é a única alternativa das intituições artísticas para lidar com as manifestações populares juvenis? O que a bienal representa no imaginário desses jovens? Onde está o improviso diante do imprevisto? Se a arte comtemporânea busca surpreender, o que é arte, então? Por que pixar não seria uma arte? Será que o fato ocorrido não poderia ser pensado para gerar outros tipos de mecanismos de interação artística participativa? Pois tal fato evidenciou que a própria bienal reproduz o mecanismo de controle social repressivo e não mais reflexivo, ou, educativo. Quero dizer, precisamente: Não tranforma, reproduz! E sendo assim: "Abaixo a Repressão!" As pixações ficaram lindas naquela imensidão branca. Os manos "caprixaram"... Produziram uma forma de inscrição no vazio, por quem nunca tem espaço... Foi demais! Felizmente eu tenho um espaço para expressar a minha opinião sincera...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O PRESENTE

Ela queria entregar-lhe o livro
Era um presente
Permanecera guardado naquela caixa escura
Onde ninguém tocaria.
Era dele, o livro,
Sempre fora.
Contudo, ele não queria.
Seus olhos, vidraças da alma,
Eram cortados pela loucura.
E cego que estava,
Não leria.
Numa noite ela sonhou com o momento da entrega
Do livro
Que já era dele
Sempre fora.
Aberto ele estaria?
Quando clareou o dia
E o medo dele dilui-se
Em substâncias voláteis
De uma noite não dormida
Finalmente ela entregou-lhe o livro
Que havia de ser dele
Sempre seria
Antes mesmo da entrega
À qual sucumbia.


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

MULHER ESPARTANA


Era de Esparta
Busto forte de guerreira
A espada era o seu espaldar
Os homens a temiam
Em apenas dois movimentos
Ao sacar a espada de suas costas
Poderia matar
Poderia ser fria e sem sentimentos
Poderia ainda amar?
Mutilada fora, em sua feminilidade
Para melhor a espada, carregar.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O ENCONTRO (First Version)


Nada havia se passado
Até aquela troca de olhares
De sorrisos
De palavras
Até então nada havia acontecido
Apenas um desejo foi despertado
Curiosidade quanto ao desconhecido
Países, costumes, idades, vidas...
Tudo diferente
E um mesmo desejo recíproco
Um encontro
Naquela tarde foi o encaixe do desejo
No momento do possível
Foi mágico por haverem aproveitado a oportunidade
Única de se haverem conhecido
E se pudessem teriam se enamorado
Por todo o tempo que já se havia perdido.

domingo, 19 de outubro de 2008

UM ENCONTRO

Nada havia se passado
Que a tivesse seduzido
Até ela haver se encantado
Por tê-lo conhecido.
As alvas mãos dele falavam
Os olhos negros sorriam
Delicados gestos expressavam
O que os pensamentos escondiam
Houve dúvida de como seria
Ficar por ele à espera
Mas ela intuiu que deveria
Dar-se uma chance na primavera.
Unico encontro de uma tarde
Fez-se coberto de ternura
Ainda hoje o desejo arde
Sob o manto da loucura.
Estimou o que havia passado
Não haveria de se esquecer
Bastou-lhe ter ficado
A recordação de um bem-querer.
Levou algumas horas
Para compreender o ocorrido
Foi quando ela olhou para trás
E seu coração havia partido.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Noite Estrelada


A vida é como uma noite escura, que aos poucos vamos iluminando. Quando a gente percebe algo, por exemplo, é porque já foi... Já passou... No exato momento, quando está acontecendo, a gente não sabe! Só depois saímos da escuridão e vamos iluminando os fatos acontecidos. É lindo isso. E ao mesmo tempo trágico. Porque na hora presente desconhecemos o que estamos vivendo. É por isso que deveríamos estar sempre inteiros em tudo o que fazemos. Para não perdermos nada, nenhum detalhe desse rompante de momentos escuros que é a vida. Deveríamos poder ser rápidos no ato de tomar decisões, pois estamos em posição de escolher o tempo todo! Para não nos arrependermos em deixar passar situações sem que ajamos de acordo com o que sentimos e acreditamos. Para que cada minuto vivido seja coerente com tudo aquilo que somos, e, caso não guarde coerência, que procuremos entender por que. Para que cada ato nosso faça sentido. Ao menos pra nós mesmos. Para que a turbulência de todas as dúvidas e incertezas sirvam para nos fazer refletir sobre o fim maior de nossa existência. E que esse fim maior tenha sempre a direção do bem. Que nossa existência seja voltada para o bem e para o belo. Que nossa vida siga, não apenas uma ética da existência, a busca das virtudes e do sumo bem, mas que ela volte-se para uma estética do existir, para o cultivo da beleza que pode haver em cada existência. E essa beleza consiste em saber iluminar a escuridão que é a vida.

domingo, 28 de setembro de 2008

Um Cara de Verdade

Vamos tomar uma qualquer hora?
Sim! Não! Talvez! Nunca! Sempre! Amanhã! Demorou...
Nada de resposta... Tudo bem, já entendi, é: jamais!!!
Preciso parar de tentar exercer um controle sobre o incontrolável. Eu tento controlar o meu objeto de desejo (por assim dizer, numa linguagem Freudiana), que só existe na minha cabeça, ao tentar me comunicar, chamar a atenção. Explico melhor: Com esse 'objeto' (no sentido de objeto de amor, não de coisa) a que me refiro, o que acontece? Parte psicótica da personalidade? Transtorno de personalidade? Neurose? Estava tudo bem, maior tesão... De repente, uma quebra do vínculo, se é que existiu algum. Desconfio de que era falso. O vínculo, o self, tudo falso. Patologia do vazio, do falso self, ele sumiu porque não conseguia sustentar mais aquela imagem que me apresentou. E eu idealizei sobre a imagem que ele me mostrou (vejam quanta imaginação...) e apeguei-me ao falso! Ao que não existe! Vinculei-me a um fantasma, a um amigo imaginário... Ai de mim! Posso me realizar com pessoas reais, não é mesmo? E que gostem do que eu gosto. E que gostem de mim! Só está um pouco difícil encontrá-las... Eu admito que tenho uma imaginação fértil demais, fantasio demais, quase psicotizo... Mas a realidade sempre acaba se fazendo presente e eu me frustro! Ser capaz de frustar-se, pelo menos, é um indício de saúde mental... Enquanto isso, vou convivendo comigo mesma. Não é fácil enfrentar a solidão. Mas não é insuportável. Minha companhia é agradável, eu gosto muito de mim, me acho uma garota incrível. E quando tenho de me tolerar até que me saio muito bem! E o que é mais louvável, sem recorrer a 'paraísos artificiais'. Um vinhozinho ou um chopinho de vez em quando também não hão de matar ninguém, não é mesmo? Hoje fui ver o cover da Janis comigo mesma. Foi bacana! Mas depois me senti só... Queria compartilhar... Senti falta daquele amigo imaginário que eu criei... Na realidade, gostaria de encontrar um cara de verdade!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dar um Mergulho



ESTAVA FALTANDO UM MAR AQUI !!!

Bonito, vamos mergulhar um dia? Quem sabe você aceita... É uma questão de gostooo...so!!!


Música para os Olhos

Ouça a voz do coração



sábado, 20 de setembro de 2008

Peace and Love



Faça amor, não faça guerra. Esse é o lema do filme "Zohan: um agente bom de corte". Pode-se dizer que o filme é uma metáfora jocosa e satírica dessa frase. A eterna luta entre Palestinos e Israelenses é retratada no filme, e, como sempre, os Estados Unidos, ou melhor, Nova York, é mostrada como um território neutro, onde todos os povos podem conviver pacificamente. E é interessante pensar como o idealizador do filme construiu a história. Parece-me que a idéia foi imaginar o que um soldado ou um terrorista faria da vida se não houvesse a guerra, a discórdia? Mostram o Zorran, um soldado israelense, como um cara esbanjando energia sexual e agressiva - tanto que o ator Adam Sandler está bombado como nunca... - atuando de modo a combater seus inimigos, em especial seu arquirrival, Fanton. E aí vem a parte fantasiosa, ele se cansa disso e que ser cabeleireiro. Ele quer curtir a vida e fazer algo construtivo, útil. E aí ele vai pra "terra prometida": EUA, e lá consegue canalizar toda a sua energia sexual, fazendo o que? Nada mais "filantrópico" do que satisfazer sexualmente as velhinhas que vão ao salão de beleza onde ele passa a ser cabeleireiro. Pois está aí a resposta criativa do autor desse roteiro, imaginar que a sexualidade pode ser uma saída construtiva contra a guerra. No final, é claro que não só o sexo, mas essencialmente o amor pode salvar o homem da guerra, com a união do casal, ele israelense e ela palestina - como sempre, a repetição da união dos inimigos através da relação amorosa. Mas não é só isso, aparece também a questão de Zohan ter de dar a outra face, não reagir às agressões do outro, para a luta não continuar (lembram-se de Gandhi? Jesus Cristo...). E enfim, Fanton e Zohan se unem para combater uma terceira categoria, qual seja, a do terrorista a serviço do capitalismo desenfreado. Realmente, o filme é apelativo na conotação sexual, o que acaba marcando-o definitivamente e o torna engraçado, bizarro, absurdo e debochado... Mas fica aí uma maneira diferente de abordar questões tão dificeis, sofridas e dolorosas como guerra, terrorismo e sexualidade. É preciso rir das desgraças, mesmo que seja constatando a nossa fixação na supervalorização da imagem corporal jovem e a nossa submissão a uma forma de sexualidade maníaca e perversa. Se não for possível fazer amor, como pregavam Lennon e Yoko, façamos sexo, mas não guerra!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Hellboy e Câncer

















O filme Hellboy, engraçado... Há uma cena em que um monstrengo, carregando um bebê monstrengo, é ameaçado pelo Hellboy (o supererói) a contar um segredo: - Você vai me contar ou não? - e ameaça o monstrengo com seu potente soco. O mostrengo, com seu bebezinho monstrengo (diga-se de passagem...) cede e conta o segredo. Helboy se desculpa com o bebê, pela ameaça: - I'm sorry baby. E o bebê monstrengo responde: - I'm not a baby, I'm a tumour! - (Hihihih!) Ele diz que é um tumor e a cena mostra o "bebê tumor" colado ao tórax do monstrengo. Essa cena, além de bizarra e engraçada... fez-me pensar sobre as células tumorais. A cena mostra o tumor inteligente e a convivência "pacífica" entre o ser e o tumor. E me fez lembrar de uma passagem de um texto de Freud em que ele fala sobre células germinativas e a reserva de libido dessas células, responsáveis pela vida, em contrapartida às células malignas, que destróem o organismo mas que também são libidinizadas, ou seja, são narcísicas! Dessa pequena cena do filme, resumida na frase: - I'm not a baby, I'm a tumour - pude extrair o aspecto humorístico e ao mesmo tempo, refletir sobre a doença, a convivência de uma pessoa com o próprio tumor, a vida sendo possível, mesmo com a presença de um câncer... enfim... Vieram à minha mente imagens sobre a doença, a vida e a morte... E o melhor de tudo, eu ri muito!!!


LUA CHEIA


Medo. Quantas vezes eu já disse pra você que eu tenho? Tá! Nenhuma... Eu sei que eu não disse... Mas eu temo... Eu morro de medo... Eu tenho medo de sofrer. Eu mostro isso muitas vezes sem ninguém perceber. Eu tento esconder. Eu subo e desço, me viro do avesso, a me convencer. Hoje a Lua é cheia e parece que eu não estou inteira. Porque falta uma parte sem você...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

AOS DEZESSEIS

Nunca fui nunca serei

Se hoje faço

Amanhã não sei

Ontem fiz

Agora já desfiz

Se sou feliz

É só por um triz.


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Narcisismo

Outro dia eu descobri que a gente não se permite conhecer as pessoas por medo de se envolver. Hoje em dia não se pode esperar nada de ninguém. As pessoas se usam, se consomem, são descartáveis. E a gente se fecha cada vez mais, cada um no seu próprio mundinho. E nesse círculo vicioso do medo do encontro com o outro e do fechar-se em si mesmo, a maioria das pessoas só tenta gostar, se é que isso significar gostar... de si mesma. Querem o outro, precisam do outro, para se auto-afirmarem, mas não se preocupam com o outro. E quando o orgulho é ferido? A pessoa acha-se no direito de procurar o outro, no próprio local de trabalho, agindo de uma forma narcísica: olha como eu sou bom! Eu sou o máximo! Olha só o que você perdeu! Você vai se arrepender de ter feito o que fez comigo. Eu sou o super-man da honestidade e integridade... E no bilhete ele dizia: Você sumiu por causa de R$ 2,00? Estão aqui seus dois reais... Eu, por minha vez, achei tal atitude de uma dignidade e de um virtuosismo tão indescritível que estou pensando seriamente em enquadrar o bilhete que ele escreveu e a nota de 2 pra pendurar na parede... Para ficar de recordação do cara incrível que ele é... Um puta narcisista, isso é o que ele é... Só se preocupa consigo mesmo... E me desculpem se não me faço entender, mas talvez agora me faça, eu não tenho de dar satisfação pra ninguém de como eu ajo!!! Muito menos pra alguém que eu nem conheço!!! Principalmente se a pessoa nem me pergunta... E se eu sumi sem dizer nada, depois de ter-lhe emprestado os benditos dois reais, e daí? Cinderela também sumiu e o príncipe nunca iria recriminá-la por isso... E lhufas e bulhufas se ele não gostou! Se os amigos tiraram sarro... Azar! O beijo foi bom... E a estória poderia ter sido ótima se tivesse parado por aí...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Angústia

Só almejamos a liberdade a partir do momento em que nos sentimos presos. Mas a que nos sentimos presos? O homem é condenado a ser livre, diz Sartre. Livre para fazer escolhas. Olha que bonito isso! A liberdade como castigo, prisão. Então desejamos o que nos prende? Não! Pois não escolhemos a liberdade, já que ela é própria da nossa natureza humana. Não temos escolha quanto a isso. E nesse sentido, ser livre é uma prisão, pois nos obriga a escolher, assim como o animal está preso aos seus instintos. Mas escolhemos o que nos é dado escolher? Ou vivemos pensando não termos escolha? E quando escolhemos, sabemos que estamos escolhendo? E quando sabemos que estamos escolhendo, a escolha é realmente nossa? Quando afirmamos o desejo da liberdade, talvez estejamos querendo, na verdade, nos livrar da angústia da escolha. Afinal, ser livre significa livrar-se de quê? Fala agora!


domingo, 7 de setembro de 2008

Liberdade


PEDRERA (Drumond na Cabeça)

Pedras Pedreira
Choveu pedra em Pederneiras
Pedras Pedreira
Choveu pedra em Pederneiras
Pedras Pedreira!
Nunca mais me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca mais me esquecerei das
Pedras Pedreira
Choveu pedra em Pederneiras
Pedras Pedreira
Perdido na pedra em Pederneiras
Pedras Pedreira!
Nunca mais me esquecerei
Da minha rotina tão fatigada
Nunca mais me esquecerei
Dessa vida desgraçada!
Pedras Pedreira
Choveu Pedra em Pederneiras
Pedras! Pedreira!
Louco de pedra em Pederneiras
Pedra! Pedrera!
Chove Pedra em Pedernera!
Pedra Pedrera!
Pedernera!

sábado, 6 de setembro de 2008

Bauruzinho


Cidade de Bauru. Querem torná-la Bauruzinho. Tudo bem, o bauru é um lanche, tem a estória do sanduíche bauru, o verdadeiro bauru. Até aí tudo bem... Aí os empresários se reuniram - "money, money, money" e financiaram um "monumento público" ao sanduíche! Olha que iniciativa louvável! O tal Bauruzinho. Bauru na língua indígina significa "cesto de frutos", mas isso não importa! Vamos transformar Bauru numa cidade mundialmente conhecida pelo lanche! E para isso, nada melhor do que termos um monumento do lanche na cidade! Um obelisco, uma homenagem ao lanche, a uma COISA. Geralmente vemos nas praças das cidades, homenagens a pessoas, a seus feitos, por exemplo: Jaú tem o Comandante João Ribeiro de Barros e o Hidro-Avião. Tudo bem fazer 'marketing' da cidade de Bauru por meio do lanche, mas daí fazer com que o lanche se torne patrimônio público... Aquele obelisco ficou mil vezes melhor na sala da república!!! Porque é muito feio!!! Não é possivel chamarmos aquilo de monumento, de patrimônio, é rizível! É feio demais... Desculpem-me se estou sendo contrária a maioria das opiniões correntes sobre o assunto, mas é a minha opinião... E agora vão recolocar o tal bauruzinho no dia da cidadania contra o vandalismo. Os rapazes realmente fizeram algo que eles sabiam que estava errado... Mas como eles não são bauruenses, talvez eles ignorassem que aquilo ali era um símbolo de Bauru, talvez tivessem confundido com alguma propaganda do MC Donalds que fica logo ali, bem em frente ao Vitória Régia... "Ai que saudade do trem, ai que saudade da Eni" (frase consagrada pelo grupo não bauruense, Mercado de Peixe) ai que saudade da Bauru do Carlinho Bauruzão... Bons tempos... Ao menos, era Bauruzão! Não Bauruzinho...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

SUPERFÍCIE

A superfície das coisas
Está presa
À profundidade dos seres.
Observe aquele pássaro:
Ele voa.
Porque em seu íntimo existe
A capacidade de voar...
Da mesma forma
A profundidade dos homens,
Percebemos, nas atitudes mais superficiais.
São nas pequenas coisas
Que notamos o que existe
No interior dos corações...
Os pequenos atos nos dizem
Muito mais
Do que mil promessas.
E a ausência nos revela
Muito mais do que a presença.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Punk Rock

Show no Sesc. Banda Gork. Os caras se auto-denominam punks. Beleza. Até aí tudo bem. Primeira música, em inglês, ou talvez numa língua que eles tenham criado. Somzera... Som de metal, a guitarra... A batera não só marcava o ritmo, mas tinha seu espaço solo reservado, marcante. O cara do baixo era excelente... Não que o Abujamha (é assim que se escreve?) guitarrista e vocalista, não seja bom... Mas o do baixo parece que é bem melhor do que ele. Eu não entendo nada de música, eu sinto música. Eu amo rock. O conjunto dos três é muito bom, punk rock de primeira, no começo. Muita criatividade. Muito divertido. Influências de Ramones, Sex Pistols, The Libertines... (que eu descobri recentemente). Rockabilly influence... Chuck Berry... No jornal denominaram inclusive influência country. Fiquei me perguntando onde estava a bendita influência country e a resposta veio quando eles tocaram Chico Mineiro. Ficou um rock lindo!!! Mas não sei se eles podem ser denominados punks... Também não é essa minha intenção discutir isso, pois eu precisaria pesquisar melhor o que é punk. Eu gosto de rock. Eu tenho noção de punk que os acordes da guitarra são mais repetitivos, o som é mais sujo, não é tão melódico, as letras geralmente têm uma frase marcante, que também se repete diversas vezes, o vocalista é sentimental e por vezes grita. A batera é forte. Realmente é o que predomina em algumas canções da banda... Na verdade eles tocam mais uma mistureira de tendências do que uma coisa só. As frases que me marcaram também valem a pena: "se eu fosse ela eu daria pra mim ", "a única coisa real é o amor" e "Tomorrow Tecnic". Mas o que foi mais punk de tudo foi a briga de egos entre o baixista e o guitarrista no palco, que ficou um tanto quanto evidente para um observador mais atento... Em um dado momento, o baixista criticou verbalmente o que o guitar man afirmou e depois apontou notoriamente (por gestos) algumas falhas dele, que talvez acabaram funcionando como um reforçador do estrelismo do guitar... E eu fico pensando, talvez seja um marketing da banda... Enfim... tocaram bem, 'bunitinho', belos rapazes da classe alta da nossa sociedade que gostam de ficar brincando de ser punk, tendo a mídia do lado deles para divulgar os shows. Foi bem legal, bacana, bem ensaiadinho, empolgante, apesar de eles dizerem que não ensaiam, dos erros do Abujamha e dos chiliques do baixista.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Copo d'água

Ela pediu um copo de água. Foi tudo. Estava com sede. Ele olhou deconfiado: Você está com sede, hein? Sim, estou, ela disse, como é bom beber água quando se está com sede! Você disse que não fumava mais, ele soltou... Ela se indignou: Por que? Você está achando que eu fumei? Não! Ele afirmou. É que você me disse que gostava muito, e que parou... Quem gosta não para, dá um tempo... E ela se enfureceu: tá bom! Nem o prazer de tomar um simples copo d'água eu tenho mais, como se a sede só pudesse ser possível após fumar um baseado, como se a sede fosse algo sempre produzido e não da necessidade natural do corpo, como se fosse impossível eu escolher entre gostar de fumar e querer escolher, por n motivos, parar, como se eu não tivesse o direito de saborear um copo de água com o maior prazer sem ficar pensando no que os outros estão pensando... Quer saber? Cansei! E foi a gota d'água...


sábado, 30 de agosto de 2008

A Peste


Ao ler o livro do Albert Camus, A Peste, percebemos que no flagelo das multidões, seja pela doença como no livro ou em situação de guerra, o sofrimento é homogêneo e por assim dizer, também os sentimentos se homogeinizam. Não existe lugar para a singularidade e unicidade do indivíduo na sua existência. Aonde está a liberdade do sujeto que deve se sujeitar às condições de existência de sua época? O livro ganhou o prêmio Nobel de 1957, portanto, após a 2ª Guerra Mundial. Camus faz uma analogia tão maravilhosa da Peste com a Guerra que não é possível ler o livro e não pensar no nazismo, no genocídio dos judeus, que contemplam os mecanismos de "limpeza social", as separações dos indivíduos, o exílio, as mortes, as montanhas de corpos. Ele descreve o sofrimento humano, a banalização do sofrimento, e faz-nos refletir sobre os papéis de cada cidadão cujas funções são determinantes para a vida da cidade, como a do médico e a do padre. Faz-nos pensar se a vida humana não é em si um constante flagelo no sentido de vivermos numa espécie de estado de sítio de nós mesmos, faz-nos perceber que não nos permitimos viver certas coisas, não por termos horário fixado rigidamente para nos recolhermos às nossas casas, ou para apagarmos as luzes, sob ameaça de sermos metralhados, por exemplo, mas por não termos coragem, por termos medo de nos entregar, quer seja ao amor ao outro ou à realização de ideais. Por nos sentirmos impotentes diante do tédio que nos cerca. E nesse sentido, a analogia de Camus não perpassa apenas a situação de guerra, mas nos remete ao absurdo da nossa vida cotidiana. Somente quando há impedimentos definidos pelas autoridades, pela cidade, pelo país, é que sentimos de fato as nossas limitações, o nosso cerceamento, a nossa prisão, além de termos um motivo claro para não realizarmos o que almejamos, ou para não sermos quem somos. E quando chega ao fim o período das restrições impostas, como ocorre no livro quando há o controle social da peste, torna-se um imperativo comemorar e viver intensamente, mesmo que seja por poucas horas, como diz Camus. Independente dos que ainda choram pela morte dos entes queridos. Mas aos poucos, tudo volta ao normal, a vida continua em sua forma ínfima cheia de empecilhos que a restringem e que vêm da alienação do ser humano em relação a si mesmo e ao mundo e de tudo o mais que tolhe e oprime o pensar, o sentir e o agir humano. A peste está dentro de cada um de nós, ela não é só peste bubônica, é peste emocional... E às vezes não temos muito tempo de fazer algo a respeito, pois a fatalidade nos atinge, sem nos avisar...


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Nada a dizer



Quando eu demonstrei muitas vezes o que queria, foi para afastá-lo de mim, foi para obter o distanciamento dele. Sabia que não conseguiria obter qualquer resposta, mas precisava falar, para não tê-lo. Para sentir a indiferença e descartá-lo dos meus pensamentos. Mesmo que parecesse uma tentativa de resgatá-lo, por meio de palavras vazias... Pois já sabia que não viria. Quando eu parei de dizer, quando me calei, esperava que ele tornasse a aparecer, assim, de repente, quando eu não estivesse esperando... E não estava, já havia me acostumando, de fato, com a ausência. E me cercara de uma certa vergonha, misturada com orgulho, em ter insistido em obter a atenção dele. E ele não aparecera mais, apenas fiquei sabendo depois, que se casara, que se tornara pai. E foi aí que eu pensei... Se eu tivesse me calado... Se desde o início eu tivesse aceitado a frustração de não ter sido correspondida, se eu não tivesse sido tão sincera, tão honesta, se eu tivesse esperado, passiva, sem nada dizer e tudo calar, talvez... Talvez eu não o tivesse afastado... Talvez, ele não tivesse sumido... Talvez eu o tivesse esperado... sem nada dizer...


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Vida

A vida quer sempre mais vida.

É tão forte a força da vida que as tentativas de destruição da natureza ficam como se fossem nada perto da força vital. De tudo o que tem vida, ser humano, micróbio, vegetal, ameba, células malignas... tudo o que é orgânico, e até o inorgânico, se é que pode-se chamar de inorgânico o que existe na natureza, pois tudo o que tem substância, tem corpo, tem alguma espécie de vida, mesmo que seja um ser anaeróbio, e venha da multiplicação do lixo, ou a pedra que parece só uma coisa, mas tem sua história de sedimentações e desgastes e forças que a impulsionam ou a detém. E o ar que não vemos, mas respiramos, significa a vida em sua mais pura essência, é do que depende a nossa sobrevivência, é donde vem o primeiro sopro de vida do bebê ao nascer e chorar. Força, berro, pulmões estridentes, dor... vida. Sentimentos... vida. Natureza... vida. Cuidado... proteger a vida. Caminhar... até o fim da vida.


terça-feira, 22 de julho de 2008

Ser e Tempo

Acredito que tive um contato legítimo com o que há de mais íntimo do seu ser. Mas por pouco tempo... Talvez por minutos, apenas... É pouco, muito pouco... Muito pouco tempo! E tempo, bem... Tempo é tudo o que temos, ele diz. E eu fico pensando, fico triste até... O que as pessoas têm feito com o tempo que elas têm? O que a gente faz com o nosso tempo? O que é o tempo? O que fica do tempo? Quanto tempo tenho eu? O que serei durante o tempo em que existirei? O que não serei?

sábado, 5 de julho de 2008

Ontem


A quem interessar possa. O que aconteceu ontem foi único e nunca mais irá ocorrer da mesma forma, do mesmo modo, da mesma maneira, do mesmo mesmo... Assim como a história do rio de Heráclito, impossível banhar-se novamente num mesmo rio, pois ambos, rio e sujeito, não são mais os mesmos. E nem que o mesmo do mesmo seja o mesmo, já será outro... Mesmo! E quem não vê o que está sendo, no exato momento, perde o conhecimento do que se é no tempo...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Amanhã




O amanhã será hoje.