
A vida é como uma noite escura, que aos poucos vamos iluminando. Quando a gente percebe algo, por exemplo, é porque já foi... Já passou... No exato momento, quando está acontecendo, a gente não sabe! Só depois saímos da escuridão e vamos iluminando os fatos acontecidos. É lindo isso. E ao mesmo tempo trágico. Porque na hora presente desconhecemos o que estamos vivendo. É por isso que deveríamos estar sempre inteiros em tudo o que fazemos. Para não perdermos nada, nenhum detalhe desse rompante de momentos escuros que é a vida. Deveríamos poder ser rápidos no ato de tomar decisões, pois estamos em posição de escolher o tempo todo! Para não nos arrependermos em deixar passar situações sem que ajamos de acordo com o que sentimos e acreditamos. Para que cada minuto vivido seja coerente com tudo aquilo que somos, e, caso não guarde coerência, que procuremos entender por que. Para que cada ato nosso faça sentido. Ao menos pra nós mesmos. Para que a turbulência de todas as dúvidas e incertezas sirvam para nos fazer refletir sobre o fim maior de nossa existência. E que esse fim maior tenha sempre a direção do bem. Que nossa existência seja voltada para o bem e para o belo. Que nossa vida siga, não apenas uma ética da existência, a busca das virtudes e do sumo bem, mas que ela volte-se para uma estética do existir, para o cultivo da beleza que pode haver em cada existência. E essa beleza consiste em saber iluminar a escuridão que é a vida.


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