Era um presente
Permanecera guardado naquela caixa escura
Onde ninguém tocaria.
Era dele, o livro,
Sempre fora.
Contudo, ele não queria.
Seus olhos, vidraças da alma,
Eram cortados pela loucura.
E cego que estava,
Não leria.
Numa noite ela sonhou com o momento da entrega
Do livro
Que já era dele
Sempre fora.
Aberto ele estaria?
Quando clareou o dia
E o medo dele dilui-se
Em substâncias voláteis
De uma noite não dormida
Finalmente ela entregou-lhe o livro
Que havia de ser dele
Sempre seria
Antes mesmo da entrega
À qual sucumbia.




Nenhum comentário:
Postar um comentário