
Siceramente? Eu adorei! Eu vibrei ao ver a ação dos pixadores na atual Bienal de Artes de São Paulo. Não que eu queira fazer apologia ao vandalismo predatório, à conduta anti-social. Contudo, não pude conter meu entusiasmo. Talvez eu tenha uma veia imoral, que seja! Mas, por mais que queiram inovar nas artes, com o conceito de arte interativa, que vem se atualizando em cada bienal, ou de espaço vazio... Em nenhuma delas houve uma manifestação mais inovadora do que a pixação. Se tivessem incorporado a ação dos pixadores à organização do evento, tranformando o ato de pixar em uma surpresa programada, aposto que todos bateriam palmas... Mas foi um fiasco porque o sistema social reproduziu, como sempre, a repressão da manifestação espontânea da parcela da população excluída da produção e fruição das artes consideradas valorosas e convencionalmente (e por que não?) aceitas. Conseqüentemente, a pixação foi a maior arte de vanguarda, por representar a contracultura, o protesto contra o status quo. O rapaz que apareceu na TV disse: - "É arte, não é? Nós viemos fazer a nossa arte"... Querem mais interatividade do que isso? Será que aumentar a repressão é a única alternativa das intituições artísticas para lidar com as manifestações populares juvenis? O que a bienal representa no imaginário desses jovens? Onde está o improviso diante do imprevisto? Se a arte comtemporânea busca surpreender, o que é arte, então? Por que pixar não seria uma arte? Será que o fato ocorrido não poderia ser pensado para gerar outros tipos de mecanismos de interação artística participativa? Pois tal fato evidenciou que a própria bienal reproduz o mecanismo de controle social repressivo e não mais reflexivo, ou, educativo. Quero dizer, precisamente: Não tranforma, reproduz! E sendo assim: "Abaixo a Repressão!" As pixações ficaram lindas naquela imensidão branca. Os manos "caprixaram"... Produziram uma forma de inscrição no vazio, por quem nunca tem espaço... Foi demais! Felizmente eu tenho um espaço para expressar a minha opinião sincera...


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