sábado, 20 de setembro de 2008

Peace and Love



Faça amor, não faça guerra. Esse é o lema do filme "Zohan: um agente bom de corte". Pode-se dizer que o filme é uma metáfora jocosa e satírica dessa frase. A eterna luta entre Palestinos e Israelenses é retratada no filme, e, como sempre, os Estados Unidos, ou melhor, Nova York, é mostrada como um território neutro, onde todos os povos podem conviver pacificamente. E é interessante pensar como o idealizador do filme construiu a história. Parece-me que a idéia foi imaginar o que um soldado ou um terrorista faria da vida se não houvesse a guerra, a discórdia? Mostram o Zorran, um soldado israelense, como um cara esbanjando energia sexual e agressiva - tanto que o ator Adam Sandler está bombado como nunca... - atuando de modo a combater seus inimigos, em especial seu arquirrival, Fanton. E aí vem a parte fantasiosa, ele se cansa disso e que ser cabeleireiro. Ele quer curtir a vida e fazer algo construtivo, útil. E aí ele vai pra "terra prometida": EUA, e lá consegue canalizar toda a sua energia sexual, fazendo o que? Nada mais "filantrópico" do que satisfazer sexualmente as velhinhas que vão ao salão de beleza onde ele passa a ser cabeleireiro. Pois está aí a resposta criativa do autor desse roteiro, imaginar que a sexualidade pode ser uma saída construtiva contra a guerra. No final, é claro que não só o sexo, mas essencialmente o amor pode salvar o homem da guerra, com a união do casal, ele israelense e ela palestina - como sempre, a repetição da união dos inimigos através da relação amorosa. Mas não é só isso, aparece também a questão de Zohan ter de dar a outra face, não reagir às agressões do outro, para a luta não continuar (lembram-se de Gandhi? Jesus Cristo...). E enfim, Fanton e Zohan se unem para combater uma terceira categoria, qual seja, a do terrorista a serviço do capitalismo desenfreado. Realmente, o filme é apelativo na conotação sexual, o que acaba marcando-o definitivamente e o torna engraçado, bizarro, absurdo e debochado... Mas fica aí uma maneira diferente de abordar questões tão dificeis, sofridas e dolorosas como guerra, terrorismo e sexualidade. É preciso rir das desgraças, mesmo que seja constatando a nossa fixação na supervalorização da imagem corporal jovem e a nossa submissão a uma forma de sexualidade maníaca e perversa. Se não for possível fazer amor, como pregavam Lennon e Yoko, façamos sexo, mas não guerra!

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