sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Vida Privada (Bukowski influence)


Mary, sentada confortavelmente em sua privada, lendo um livro sobre Rolling Stones, teve um insight: Puta que o pariu! foi isso o que aconteceu... Foi o garçom! Só pode ter sido... Mary encontrara o infeliz no restaurante em que fora almoçar com sua irmã. Ele fingiu que não a conhecia. Ela o ignorou, não achou importante. Mas agora, nesse exato momento ela sabia. Ele (garçom) havia falado pro Joseph, algo que o perturbara. Pois Joseph não olhara na cara dela naquela noite no bar, muito estranho... Mary havia pensado em várias hipóteses e chegou à conclusão de que Joseph estaria puto com ela à toa, já que ela não fizera nada! Apenas não havia atendido a um telefonema dele porque não ouvira, e, naquela noite, estava sem ânimo pra nada, uma dor de cabeça não a deixava em paz... Ela tomara um remédio antes de deitar-se cedo. Na noite seguinte, sentindo-se melhor, ela foi a um bar acompanhada da irmã e da amiga e coincidentemente encontrou Joseph. Ele a viu, ficou conversando na frente dela, uma conhecida que estava na roda dele veio conversar com Mary e ele nada... Fingiu que não a conhecia... Mas com um certo despeito. Mary não se enganava com estas coisas, sabia o que era despeito. Mary pensou que ele estava fazendo uma tempestade em copo d' água, não havia motivo para ele reagir daquela forma. Ela continuou bebericando sua cerveja, impassível, não se moveu de sua cadeira e foi embora sem dirigir uma palavra a Joseph. Ele não merecia. Não demonstrou nenhuma alegria ao vê-la, só raiva. Ela não estava disposta a corresponder às expectativas dele. Não queria nenhum tipo de relação na qual se sentisse cobrada. E não era possível que ele agia de tal forma só porque ela não telefonara pra ele, eles estavam apenas se conhecendo ainda! Agora no banheiro, a imagem do garçom lhe veio à mente, quando tivera o insight: Só pode ter sido algum comentário infeliz do garçom, que envenenou Joseph contra mim... Joseph era músico e conhecia todos do bar. Mary lembrava-se da noite em que havia feito sua escolha entre Joseph e Audry. As amigas a apoiaram por escolher ficar com Joseph: Mary, mil vezes o Joseph! Ok, pensou Mary, ficarei com o Joseph, Fuck the Audry! Audry sempre foi um egoísta, um escroto, um narcisista, machista... E Mary não estava mais apaixonada por ele, sendo assim, lascou um beijo em Joseph, em público, na frente de Audry e do garçom... Imaginara que poderia até ter tido algum tipo de problema pela forma como agira, mas não com o garçom... Filho da puta, pensou Mary , lembrou-se de que, antes de ir embora, o garçom comentou: O Joseph canta, não é? E Mary respondeu: Canta e encanta! Era o filho da puta, Loui, era esse nome do garçom, Loui! Ele deve ter contado pro Joseph sobre o Audry, só podia ter sido isso! E Joseph, que não sabia nada sobre o Audry, querendo um motivo para justificar por que Mary se esquivava de um compromisso mais sério com ele, deve ter achado a resposta: Ah, eu sabia que havia algo de errado com aquela garota, ela é uma vadia, fica com o Audry e comigo! Ele deve ter pensado isso, o cretino do Joseph. Esses homens não aceitam quando uma mulher prefere outro tipo de relacionamento a um compromisso com eles. Como se um compromisso amoroso fosse o que há de mais importante na vida de uma mulher. E o garçom do bar então, ao ver Mary de dia no restaurante, entregou-se... Com aquela cara de quem nunca havia encontrado Mary na vida. Filho da puta, fofoqueiro! Falso moralista do caralho! Mas idiota mesmo foi o Joseph, de fazer o que fez. Final da história, pensou Mary, que se fodam Joseph, o garçom Loui e Audry! Tô, literalmente, cagando pra todos eles... Fuck at all! E terminou o que havia começado, com alívio.



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